Um tempo atrás, ouvi uma história que não esqueci. Numa grande empresa, havia um sujeito que ninguém chamava pelo nome. Era “o cara que resolve”. Ninguém sabia o cargo exato, mas todo mundo queria ele nos projetos difíceis. Não era o mais extrovertido, nem o que postava todo dia. Mas quando o bicho pegava, era ele que chamavam.
Isso é marca pessoal.
Não é sobre autopromoção. É sobre percepção. Sobre o que fica quando você sai da sala. A lembrança que você deixa sem nem perceber.
Mas criar isso dá trabalho. Porque, antes de tudo, você precisa entender quem é. E essa é uma jornada mais profunda do que parece.
No começo, a gente tenta se encaixar. Fala o que parece certo. Se molda nas referências. Acha que precisa de um personagem pra ser levado a sério. Só que uma hora isso pesa. A máscara começa a apertar. E você percebe que está virando uma versão morna de si mesmo.
Foi só quando eu comecei a escrever com a minha voz — sem tentar agradar todo mundo — que as coisas começaram a mudar. As conexões ficaram mais reais. As oportunidades começaram a me encontrar. E o mais curioso: foi sendo eu que comecei a atrair pessoas com quem realmente fazia sentido construir.
Marca pessoal nasce quando você para de tentar parecer algo — e começa a viver o que acredita.
E isso não exige fama. Exige verdade.
A sua história, com todas as imperfeições, tem valor. Mesmo que pareça comum. Porque o que te diferencia não é um feito épico — é a coerência no dia a dia. O jeito como você reage ao caos. Como ouve. Como cumpre o que promete. Pequenos atos constroem grandes reputações.
Depois vem a consistência. Ser inteiro. Presencial ou remoto. Online ou offline. Ser reconhecível não por causa de um logo pessoal, mas por uma postura que não muda com o vento.
E então chega a parte mais delicada: se mostrar. Com vulnerabilidade, não com verniz. Compartilhar os bastidores, não só os bastões de vitória. Contar tropeços, não só cases de sucesso. Porque o que conecta não é a perfeição — é a coragem de ser real.
Alguns vão torcer o nariz. Tudo bem. Posicionamento exige coragem. Mas é essa clareza que atrai as conexões certas.
Marca pessoal, no fim, é o rastro que você deixa ao passar. É o eco silencioso das suas escolhas. É o que dizem de você… quando você não está por perto.
Então, não espere se sentir pronto. Comece do jeito que dá. Você não precisa ser barulhento. Precisa ser nítido. E verdadeiro com o que te move.